segunda-feira, 13 de agosto de 2007

Internet X As outras mídias...

Chama a minha atenção o distanciamento estabelecido entre a mídia online e outras mídias, quando se trata de publicidade. E parece que a origem desse pensamento, ou uma delas, está nas faculdades em que esses são tópicos fundamentais.

Quando precisaram contratar, no site em que eu trabalho, uma estagiária que cursasse Publicidade, foram feitas várias entrevistas. Todos os candidatos demonstraram uma certa surpresa quando souberam que a vaga era para trabalhar num site. Entre suas atividades estariam lidar com ferramentas de Search Marketing, Links Patrocinados Google, UOL, Yahoo etc, levantar estatísticas de visitação do site, participar do desenvolvimento de projetos de marketing online. Em parte, a falta de informação dos candidatos sobre o assunto se devia à falta de explicação por parte da agência recrutadora. É comum as agências fazerem processos seletivos sem explicar claramente aos candidatos do que se trata a vaga.

Porém, a surpresa dos candidatos não pareceu se limitar a isso, pois mesmo depois de receberem o esclarecimento quanto à vaga alguns preferiram abrir mão da seleção, mesmo já estando em uma fase avançada, para tentarem um estágio “mais tradicional” - em agências de comunicação, por exemplo. Alguns demonstraram ter ficado com medo das atribuições, do excesso de responsabilidade (?), talvez assustados com os termos usados para definir as atribuições (especulação minha, diante de não ter muito mais o que imaginar). Outros demonstraram querer atuar em outras áreas da publicidade e pareceram não imaginar como poderiam exercer a profissão num ambiente de internet. Uma série de “pré-conceitos” apareceram, e alguns tomaram ares de preconceito.

Ficou a impressão de que a internet é uma mídia relegada a segundo plano. E, pelo menos por enquanto, até é. Pesquisas mostram que 90% das verbas de empresas com publicidade são investidos em TV, jornais e mídia externa, enquanto apenas 10% seriam investidos em internet e algumas outras mídias (isso pode, no entanto, estar para mudar...)

Talvez uma explicação esteja no fato de as agências de publicidade tradicionais e as de publicidade na Web trabalharem separadas, se verem como concorrentes, quando na verdade tudo o que fazem é comunicação. Acredito que uma empresa, ao contratar uma agência para fazer publicidade, pensa em todas as mídias, em mídias em geral, não em certas mídias "e também em internet", como se fossem dois blocos separados e completamente independentes...

Imagino que seria muito mais interessante – como diz um artigo, por sinal de teor bem duro, publicado hoje no site emarket - se as agências tradicionais e as que atuam na Web unissem esforços para oferecer uma possibilidade de comunicação completa aos seus clientes. Mas existe resistência a isso de ambos os lados.

A estagiária atualmente trabalhando com a gente no site enxerga o problema na faculdade que cursa. Ela comenta que, apesar de até ter disciplinas mais voltadas para a Web em sua grade curricular, elas têm pouco destaque, e seus colegas "nem pensam em internet". O processo se torna um círculo vicioso, pois os professores, sem o online em mente, não passam isso para os alunos. “Quem dá aula é mais velho, pouco ligado em Web. Meus professores mal têm e-mail. Tenho certeza de que a próxima geração de professores estará muito mais ligada nisso, porque a internet terá feito parte da vida deles”. São palavras dela.

Como jornalista formada pela PUC do Rio em dezembro de 2005, portanto há menos de dois anos, posso dizer que na minha faculdade de jornalismo o online era também um “fantasma”, um mundo paralelo. Não tive em minha grade de matérias obrigatórias uma que se chamasse “Jornalismo online”, “Mídias digitais” e, muito menos, “Texto para online” ou qualquer coisa parecida. A “História da imprensa no Brasil” parava antes disso, como se ainda não estivéssemos na era da internet. Parece que pouco depois de eu sair da faculdade essa e grades de outras instituições mudaram. Talvez agora a cabeça dos estudantes comece também a mudar.

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