Tenho observado uma estranha e impressionante mistura de conceitos no que diz respeito à derrubada da exigência do diploma para jornalistas. Blogs e sites aparentemente sérios, e pessoas em rodas de amigos, têm comentado coisas do tipo: “Se eu for fazer concurso que exija curso superior, não poderei mais marcar essa opção, terei que concorrer como se tivesse apenas o ensino médio, porque sou formado em jornalismo”..., ou “Ah, você é jornalista, então cuidado porque se for preso não vai para a prisão especial porque não tem mais diploma”... (à parte a decisão de extinguir a prisão especial para quem tem diploma de qualquer curso).
Alto lá! A decisão do STF derrubou a EXIGÊNCIA do diploma de jornalista para o exercício da profissão, mas pelo menos AINDA não derrubou a faculdade de jornalismo e não invalidou o diploma de ninguém. Se algo não é exigido, não quer dizer que não exista mais, certo? Parece óbvio, mas pela Web a gente encontra muitas manifestações de pessoas que claramente misturaram todos esses conceitos e fizeram uma sinistra salada mista!
Eu sou jornalista com diploma e porque a exigência caiu não quer dizer que meu título e minha formação evaporaram junto. Não houve nenhuma mágica que fez sumir o meu registro de jornalista no ministério do Trabalho da minha carteira de trabalho da noite para o dia ou me fazer voltar ao Ensino Médio! Aliás, meu diploma sumiu aqui dentro de casa há meses e não o encontrei ainda. Ao comentar isso com alguém, ouvi o seguinte: "Então tem que ver se você vai conseguir outro quando der entrada na segunda via"! Isso me lembra que se até agora o meu diploma que sumiu não me fez tanta falta, não posso dizer o mesmo da formação que tive na faculdade de jornalismo, pois que falta ela faria! O que me remete ao texto que escrevi neste outro post aqui...
OBS.: Sobre este assunto, não deixem de ler a Miriam Leitão no Globo de hoje! Ela esclarece tudo lá.
2 comentários:
Está havendo muita confusão, mesmo. Ontem, uma amiga disse que as instituições públicas não poderão mais exigir diplomas de jornalista para cargos de jornalistas, e que se elas fizessem isso poderiam ser processadas.
Mas não é isso! A obrigatoriedade do diploma deixou de existir. Não quer dizer que ela é proibida.
Se fosse assim, as empresas teriam que contratar profissionais de design, informática e publicidade como de nível médio, pois são carreiras em que o diploma também não é exigido. Mas as instituições públicas, há anos, pedem o diploma como uma garantia de qualificação do candidato.
Agora, o que pode acontecer é a empresa exigir como requisito não só o diploma em Jornalismo, mas, facultativamente, também o diploma de outras carreiras, como Publicidade, RP, História, Ciências Sociais, whatever. E isso nem me preocupa muito, pois o conteúdo das provas continuará sendo o de jornalismo, o que dará vantagem aos formados.
Enfim, acho que a galera tem andado muito apocalíptica. Como disse muito bem um amigo meu em post no meu blog, a queda da obrigatoriedade do diploma é o menor dos problemas. Não vai melhorar nem piorar nada, e só vai mascarar os verdadeiros males do nosso jornalismo.
As pessoas confundem muito as coisas. Vou dar um exemplo: sou médica e tenho residência médica e título de especialista em oftalmologia. Para que eu possa exercer minha profissão, sou obrigada a ter diploma de médica, CRM e tal, mas não sou obrigada a ter título de especialista. Não é obrigatória a exigência deste título para que eu possa exercer meu trabalho. Porém, muitos hospitais preferem contratar profissionais com este título, muitos pacientes checam se seu médico possui este título, e alguns convênios só credenciam médicos que possuam título de especialista.
Fazendo uma comparação com o jornalismo, eu diria que um bom jornalista pode até não possuir diploma, mas as empresas podem preferir contratar profissionais com diplomas e tudo mais. Na prática, isso não muda nada, só faz com que jornalistas sem diploma tenham o direito de exercer a profissão legalmente, mas o diploma continua existindo, claro.
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